terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Paralelo entre o Paradigma da Integração e o Paradigma da Inclusão

Os artigos pesquisados da Revista de Educação Especial – Inclusão busca esclarecer as diferenças entre paradigma da Integração e paradigma da Inclusão.
Segundo o artigo “Inclusão: o paradigma do século 21”, o paradigma da integração, defendida durante os últimos cinqüenta anos, ocorria e ainda ocorre de três formas:
Pela inserção pura e simples daquelas pessoas com deficiência que conseguiam ou conseguem, por méritos pessoais e profissionais, utilizar os espaços físicos e sociais, bem como seus programas e serviços, sem nenhuma modificação por parte da sociedade;
Pela inserção daquelas pessoas com deficiência que necessitavam ou necessitam de alguma adaptação específica no espaço físico comum ou no procedimento de atividade comum a fim de poderem, estudar, trabalhar, ter lazer, conviver com pessoas sem deficiência;
Pela inserção de pessoas com deficiência em ambientes separados dentro dos sistemas gerais. Por exemplo: escola especial junto à comunidade; classe especial numa escola comum; setor separado dentro de uma empresa comum; horário exclusivo para pessoas deficientes num clube comum, etc.
Segundo Sassaki nenhuma dessas formas de integração social satisfaz plenamente os direitos de todas as pessoas com deficiência, pois a integração pouco exige da sociedade em termos d modificação de atitudes, de espaços, de objetos e de práticas sociais. No modelo integrativo, a sociedade, praticamente de braços cruzados, aceita receber pessoas com deficiência, desde que elas sejam capazes de:
Moldar-se aos requisitos dos serviços especiais separados (classe especial, escola especial etc.);
Acompanhar os procedimentos tradicionais (de trabalho, escolarização, convivência social etc);
Contornar os obstáculos existentes no meio físico 9espaço urbano, edifícios, transportes etc.);
Lidar com as atitudes, discriminatórias da sociedade, resultantes de estereótipos, preconceitos e estigmas;
Desempenhar papéis sociais individuais (aluno, trabalhador, usuário, pai, mãe, consumidor etc.) com autonomia, mas, não necessariamente, com independência.
Sassaki assinala que a integração constitui um esforço unilateral tão somente das pessoas com deficiência e seus aliados, sendo que a pessoas com deficiência deve procurar tornar-se mais aceitável pela comunidade. A integração sempre procurou diminuir a diferença da pessoa com deficiência em relação à maioria da população, por meio da reabilitação, da educação especial e até de cirurgias, pois ela partia do pressuposto de que as diferenças constituem um obstáculo, um transtorno que se interpõe a aceitação social.
Segundo Sassaki, os princípios da educação inclusiva são corretamente implementados, quando surgem os seguintes resultados imediatos:
As escolas regulares se transformam em unidades inclusivas enquanto as escolas especiais vão se tornando centros de apoio e capacitação para professores, profissionais e demais componente dos sistemas escolares;
As necessidades dos alunos são implementadas, nas seis dimensões de acessibilidade (Acessibilidade arquitetônica, acessibilidade comunicacional, acessibilidade metodológica, acessibilidade instrumental, acessibilidade atitudinal);
Aplicação da teoria das Inteligências múltiplas na elaboração, apresentação e avaliação das aulas;
Incorporação dos conceitos de autonomia, independência e empoderamento nas relações entre todas as pessoas que compõem cada comunidade escolar;
Práticas baseadas na valorização da diversidade humana, no respeito pelas diferenças individuais, no desejo de acolher todas as pessoas, na convivência harmoniosa, na participação ativa e central das famílias e da comunidade local em todas as etapas de aprendizagem e na crença de que qualquer pessoa, por mais limitada que seja em sua funcionalidade acadêmica, social ou orgânica, tem uma contribuição significativa a dar a si mesma, às demais pessoas e à sociedade como um todo.
No artigo “Educação Inclusiva: Será que sou a favor ou contra uma escola de qualidade para todos?”, Ferreira assinala que a Educação Inclusiva vem crescendo no mundo inteiro, com base no pressuposto de que toda criança tem direito à educação de qualidade e de que, portanto, os sistemas educacionais têm que mudar para poder responder a essas necessidades.
Para Ferreira a Educação Inclusiva não diz respeito somente às crianças com deficiência, mas diz respeito a todas as crianças que enfrentam barreiras de acesso à escolarização ou de acesso ao currículo, que levam ao fracasso escolar e à exclusão social.
Para ele a educação inclusiva se caracteriza como um movimento em defesa da escola de qualidade para todos, nas quais todos estejam comprometidos com a melhoria da escola para todos os membros da comunidade escolar e a valorização de todos por meio do desenvolvimento pessoal e profissional.
Ferreira diz que o movimento pelas escolas inclusivas tem como principal objetivo romper com as práticas didático-pedagógicas autoritárias e alienantes, que não reconhecem o papel fundamental do aluno no processo ensino-aprendizagem. Uma escola inclusiva deve ser humanística, no sentido de assumir a formação integral da criança e o jovem como sua finalidade primeira e última. Não pode somente se referir a um grupo social em desvantagem e excluído, mas deve se comprometer e lutar pelo direito de todos aqueles que vivem em situação de risco, como resultado de uma sociedade injusta e desigual que privilegia os que têm em detrimento daqueles que nada possuem.
Segundo Ferreira um professor comprometido com a inclusão deve ter em mente que:
A educação é um direito humano;
As crianças estão na escola para aprender;
Há crianças que são mais vulneráveis á exclusão educacionais do que outras;
E é da responsabilidade da escola e dos professores criar formas alternativas de ensino e aprendizagem mais efetivas para todos.
No artigo “A Educação Inclusiva: um meio de construir escolas para todos no século XXI”, Sánchez analisa a nova perspectiva da diversidade no âmbito da educação inclusiva.
Segundo o contexto do nascimento da inclusão, os pressupostos nos quais se fundamenta e o significado da educação inclusiva, a autora cita que no final dos anos 80 e princípios dos 90, o movimento da inclusão, manifesta sua insatisfação pela trajetória da integração. Questionam o tratamento dado aos alunos com necessidades educacionais especiais no sistema de ensino em muitos países.
Sánchez assinala que na conferência Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais, de 1994, em Salamanca, os especialistas ali reunidos estabeleceram um plano de ação cujo principio norteador mostrava que as escolas deveriam acolher todas as crianças,independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas e outras. As escolas devem desenvolver uma pedagogia capaz de educar com êxito todas as crianças.
Segundo Sánchez, a Declaração de Salamanca, ao longo de todos os anos tem mantido a posição em defesa dos mais desfavorecidos. Isto tem contribuído para o reconhecimento dos direitos humanos e dos princípios de igualdade e equidade.
Para dar cumprimento a os objetivos, são fixados quatro princípios básicos em que deve centrar a educação ao longo da vida de uma pessoa:
Aprender a conhecer: consiste em adquirir os instrumentos que se requer para a compreensão do mundo que nos cerca, para viver com dignidade, desenvolver capacidades profissionais e comunicar-se com os demais.
Aprender a fazer: que o aluno tenha a possibilidade de desenvolver sua capacidade de comunicar-se e trabalhar com os demais, afrontando e solucionando os conflitos que possam ser apresentados a ele.
Aprender a viver juntos: requer o desenvolvimento da compreensão ante o outro, e a percepção de formas de interdependência, respeitando valores do pluralismo, a compreensão mútua e a paz.
Aprender a ser: conferir a cada ser humano, a liberdade de pensamento, de juízo, de sentimentos e de imaginação para desenvolver-se em plenitude estética, artística, desportiva, científica, cultural e social, e a trabalhar com responsabilidade individual.
Podemos apresentar que as causas fundamentais que tem promovido o aparecimento da inclusão são de dois tipos: por um lado, o reconhecimento da educação como um direito, e, por outro, a consideração da diversidade como um valor educativo essencial para a transformação das escolas. Uma vez adotada esta perspectiva por uma escola ou por um sistema de ensino, deverá condicionar as decisões e ações de a todos àqueles que a tenham adotado, posto que incluir significa ser parte de algo, formar parte do todo, enquanto que excluir significa manter fora, apartar, expulsar.
A educação inclusiva propõe aumentar a participação de todos os alunos no currículo escolar e a redução da exclusão escolar e social.

Segundo Sánchez, a educação inclusiva é uma questão de direitos humanos, já que defende que nãos e pode segregar, a nenhuma pessoas como conseqüência de sua deficiência, de sua dificuldade de aprendizagem, do seu gênero ou mesmo se esta pertence a uma minoria étnica.



Fonte de pesquisa:
SASSAKI, R. K. Inclusão: o paradigma do século 21. In: Inclusão - Revista da Educação Especial. Out/2005
FERREIRA, W. B. Educação Inclusiva: Será que sou a favor ou contra uma escola de qualidade para todos? In: Inclusão - Revista da Educação Especial. Out/2005.
SÁNCHEZ, P. A. A Educação Inclusiva: um meio de construir escolas para todos no século XXI. In: Inclusão - Revista da Educação Especial. Out/2005.

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